No domingo, dia 06 de maio de 2012, o
Fantástico exibiu uma matéria especial sobre a violência contra a mulher.
Segundo dados consolidados pela reportagem, no Brasil, uma mulher sofre algum
tipo de agressão a cada cinco minutos. Com 15 minutos de duração, a matéria
trouxe histórias de mulheres que sofrem nas mãosdo namorado, marido ou
ex-marido. Além das feridas físicas, os danos psicológicos são quase
irreversíveis. Em muitos casos, o sofrimento pode durar anos.
Apesar de estar em vigor desde
agosto de 2006, a Lei Maria da Penha não inibe os agressores. As que tomam
coragem em denunciar, podem ser mortas horas depois. Tudo isso porque a demanda
em julgar o processo é alta. Enquanto isso, o tempo passa e as ameaças
continuam até que o pior acontece. Foi o que aconteceu com Anita Sampaio Leite,
de 47 anos, que teve o triste caso contado na matéria. A senhora andava com a
medida protetiva dentro da bolsa, na esperança de ser atendida, mas não foi o
que aconteceu. Ela morreu um dia antes da intimação que pedia sua presença na
delegacia para depor sobre as agressões.
Fica difícil aceitar que um país,
com grande ascensão do poder feminino em vários setores, sofra com o descaso e
com a falta de rigor na hora de aplicar penas sobre esses crimes. Se tudo chega
nesse ponto, é porque existe a famosa fiança. No caso de Anita, o marido pagou
por R$ 183 para ficar livre e cometer o assassinato da ex-mulher.
Como mulher, cidadã e jornalista,
não consigo deixar de expressar minha revolta e indignação sobre o assunto.
Apesar da revolução na consolidação da Lei Maria da Penha, muitos detalhes
ainda precisam ser revistos. Quem agride uma vez, agride sempre. Não é uma
simples fiança que vai fazer o sujeito mudar de ideia.
Segundo dados da Secretaria de
Segurança Pública de São Paulo, somente no primeiro trimestre de 2012, foram
registrados mais de 30 homicídios, 17 mil lesões corporais e 163 estupros
contra mulheres. Até quando esses números vão crescer? Até quando jovens e mães
vão ser assassinadas e seus companheiros ficarão foragidos da justiça? Depois
do crime ocorrido, não adianta mais. A medida protetiva não é suficiente para
conter atitudes de psicopatas. A prisão é o lugar de quem comete qualquer ato
violento, seja ele qual for.